Quando as mazelas viram arte

Ricardo Amadasi vem de família de artistas e impõe lirismo em ferro e resina ao cotidiano da metrópole

Tuga Martins - Jornalista cultural

Todos os contrastes sociais expostos no cotidiano da metrópole ganham lirismo depois de passar pelas mãos do artista plástico Ricardo Amadasi. A contundência das obras da fase social do escultor eleva o Grande ABC a patamar de manancial de inspiração para produção cultural. Entre os fãs, aparecem Dalila Teles Veras e Alexandre Takara com acervos particulares de algumas preciosidades. Enquanto na Livraria Alpharrabio, a escultura ABC de Jorge, em resina e metal, eterniza homenagem a Jorge Amado, a exposição realizada entre 1 de junho e 31 de agosto de 2007 na Casa Amarela da fundação Santo André, surpreendeu. Parte significativa 12 mil alunos do Centro Universitário, especialmente dos cursos de Filosofia a Letras, prestigiou as obras.

Nascido em Buenos Aires , Ricardo Amadasi, está desde 1974 no Brasil e em São Bernardo há 20 anos. Mora numa chácara no Riacho Grande, onde transforma a inspiração em peças admiráveis. A obra de Ricardo Amadasi é dividida em fases: amor, imaginário e social. No entanto, a produção não segue cronológica óbvia. O artista transitas por todas. Na Argentina começou com obras de temas sociais com ferro e solda. Foi preso político. Da fase de cárcere guarda acervo de gravuras. Quando estava a caminho do exílio na França, acabou ficando em Salvador, na Bahia, onde casou e permaneceu por cinco anos.

O ar baiano inspirou a fase da sensualidade. Trabalhou a plasticidade, o íntimo. A soltura na forma do povo brasileiro. “Foi uma revolução em mim, retratando a vida através da arte. Todo erotismo vem com tempero baiano”. – diz Ricardo Amadasi. Trabalhou os últimos 10 anos com imagens de temática social voltadas dos direitos humanos. “Mesmo a obra mais perturbadora tem traço delicado” - conceitua o artista.

Na fase sonhos, Ricardo Amadasi,compõe temas surrealistas. “A realidade também é sonho e a realidade brasileira é totalmente surrealista porque não tem lógica” - diz. Durante um dos processos de criação, fez experiência de modelar no meio da noite logo após um sonho. Brotaram 40 obras. A fase do imaginário traz preocupação com á plasticidade da forma e da linguagem artística.

Ricardo Amadasi vem de família de artistas e desde pequeno foi estimulado a brincar com argila. Cursou Belas Artes na Argentina. A produção é bastante organizada. Não é do tipo que se aliena do mundo durante o processo criativo. A chácara no Riacho Grande é o atelier. Ricardo Amadasi ainda trabalha como assessor de Artes Plásticas na Secretaria de Cultura de Diadema e dá o tom das 25 oficinas da cidade.

Trecho do texto de Tuga Martins

Consulte Quando a mazelas sociais viram arte - Livre Mercado, dezembro de 2007

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