Escultura, a paixão que transforma

Rosa Helena Benedetti - Jornalista

“Ao esculpir, ao modelar o barro, na realidade modelamos a nós mesmos”. Assim o escultor Ricardo Amadasi, define seu trabalho, deixando transparecer toda a paixão que sente pelo que faz. Vencedor do Prêmio Aquisição, patrocinado pela prefeitura de São Bernardo, em novembro de 199l, Amadasi recebeu neste ano o convite do Departamento de Cultura do Núcleo Henfil para coordenar um curso de escultura. A oportunidade de ensinar pessoas que antes nunca haviam esculpido entusiasmou o artista.

O curso de escultura, oferecido todas às segundas feiras, terá duração de três meses, mas para Amadasi, já será suficiente para transformar de alguma forma cada um dos quinze alunos matriculados. A primeira transformação é a gestualidade. “O trabalho com o barro exige muito carinho, é necessário deixar de lado a carga violenta” A segunda dá-se no reconhecimento da relação do espaço que existe entre as pessoas e a própria inter-relação pessoal, pois a escultura é um trabalho de equipe.

Ricardo Amadasi, nasceu na Argentina, mais é filho de artistas plásticos italianos. A escultura faz parte de sua vida desde os doze anos de idade, quando começou a trabalhar com o barro. Para Amadasi, esse é o primeiro material, é por onde se começa. Depois vem o ferro, que coincidiu com seus vinte anos. Para ele, foi uma época dura, de choque, quando a Argentina vivia uma ditadura.

No ano passado, Amadasi esteve na Itália onde expôs em três cidades: Marostica (cidade irmã de São Bernardo), Veneza e Roma. O artista entende sua arte como brasileira e não reduz a influência da Bahia, que define como “mágica”. Esculpir para ele, significa “interpretar a vida através do espaço no qual ele se movimenta”.

Trecho do texto de Rosa Helena Benedetti

Consulte Escultura, a paixão que transforma - Rudge Ramos Jornal, 14 de maio de 1993

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