Amadasi esculpindo reflexões

Artista plástico expõe suas obras engajadas em Santo André , durante evento sobre cidadania

Mônica Santos - Jornalista

Não é por acaso que o artista plástico argentino Ricardo Amadasi, que vive em São Bernardo desde 1988, foi escolhido para ilustrar e- porque não? Motivar as discussões da 1 Conferência Municipal de Cidadania e Direitos Humanos de Santo André. Suas esculturas, há mais de duas décadas, são pautadas pela crítica a atual situação do ser humano, contra as injustiças sociais e todas as formas de exclusão.

Amadasi, que participa hoje da abertura da mostra, diz que também estará presente nas discussões da Conferência, que vai unir poder púbico e cerca de 50 entidades da sociedade até o dia 5 de dezembro. “Essas reflexões servem para me alimentar. São material para muitos outros trabalhos que ainda pretendo desenvolver sobre essa tema”, diz.

Função Social: Para Ricardo Amadasi, suas obras tem uma função social, e são capazes de conscientizar e sensibilizar as pessoas . “Não estaria modelando, criando, se não acreditasse no potencial de interferência de meu trabalho. Se fosse o contrário, aquilo que restaria, seria um simples exercício do ofício, próprio de um ego vazio e inútil. Se a arte é um produto do ser, da essência,do existir, não há espaço para brincar de faz-de-conta, alimentado por mercados ou pessoas interessadas em fortalecer seus próprios bolsos ao preço neutralizador, pasteurizador ou vulgarizador do drama da existência humana”, filosofa.

Entre as novas peças, estão tres painéis com 1m 2 cada, intituladas A Marcha, Barco Brasil e Resíduo. Neste último, um menino empurra um carrinho de lixo levando figuras caricatas que facilmente podem lembrar políticos, empresários e militares. Ou seja, mais uma vez, a arte reafirma o caráter contestatório de Amadasi.

Trecho do texto de Mônica Santos

Consulte Amadasi, esculpindo reflexões - Diário do Grande ABC, 16 de novembro de 1999

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