Amadasi traz "Excluídos" à Mauá

Aqueles que são impedidos de integrar a sociedade em que vivem são os personagens do artista

Jornal de Mauá - da redação

Com o rosto aparentemente sereno – de punho cerrado e com um dos pés suspenso – um jovem se prepara para enfrentar o sistema que o oprime . Seu corpo tenso – os músculos ressaltados – e a expectativa de seu movimento mostram a força que terão seus golpes na busca da liberdade. O forte desejo de viver estampado em sua expressão, até esconde que ele é personagem. Ruptura é uma das 14 esculturas que o artista Ricardo Amadasi traz para Mauá, na mostra Excluídos....sim senhor.

Repletas de detalhes, as figuras, que ganham o sopro da vida nas talhas do escultor, nem sempre são lineares. As vezes seus corpos estão pela metade – foram cortados.... A busca que elas empreitam por espaço, porém, continua como mesmo vigor.O ponto alto dessa fragmentação está em Consciência Libertadora. Um adolescente se apóia no braço e contempla o longe, onde imagina ser livre. “Apesar de também oprimidos pelo sistema, os jovens vão além pela grande vontade de viver”, descreve o autor.

As formas, porém precisam ser exuberantes. Um trabalhador desempregado,por exemplo, pode aparecer representado apenas por uma mão (a responsável pela produção de riqueza). Cortada por uma lâmina, essa simples mão proibida de trabalhar e presa na desgraça do sistema econômico, traz em si a tristeza de milhões de faces, as mesmas de nossas cidades e nossos campos.

Assim são as pessoas que povoam a obra de Ricardo Amadasi, o ítalo-argentino que escolheu o cenário brasileiro para tratar de temas universais. Estão sempre à margem da dignidade, vítimas da sociedade onde o dinheiro vale mais do que a alma humana. Mas são pessoas que nunca abandonam a luta para romper as amarras. Amadasi é um artista para ser visto com os olhos semi-cerrados e a consciência escancarada.

trecho do texto da redação

Consulte Amadasi traz “excluídos” à Mauá - Jornal de Mauá, 1ª quinzena de abril de 1999

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