Arte para lembrar e refletir

Pode ser vista a partir a partir de hoje, com entrada franca, a perturbadora exposição de Ricardo Amadasi

Everaldo Fioravante - Jornalista

O escultor Ricardo Amadasi, 52 anos, divide a arte em duas partes para falar sobre o caminho pelo qual optou. “Sempre existiu a arte decorativa, de enfeite, de preocupações exclusivamente estéticas. E também aquela voltada ao estimulo da reflexão, que foi pela qual decidi”, disse.

O artista plástico argentino, radicado em São Bernardo desde 1988, expõe até o próximo dia 12 no saguão do Teatro Municipal de Santo André uma série de 24 obras, sendo 22 esculturas e dois relevos, boa parte em grandes formatos. Com entrada franca e aberta a visitação das 8 h ás 21 h, a mostra faz parte da III Conferência Municipal de Cidadania e Direitos Humanos de Santo André.

A exposição de Amadasi dialoga perfeitamente com o assunto do evento. A temática social é a base das composições, criações em metal e resina fundidos, entre outros elementos.

São trabalhos que chocam o espectador devido à representação fiel da realidade. Como exemplo, as obras Jantar em família (na qual uma família é simbolizada fuçando um cesto de lixo em busca de alimento) e O banco da Praça (em que um daqueles bancos típicos de praças representa a cama de moradores de rua).

“São obras que incomodam , porém ajudam as pessoas a repensar a vida”, afirmou o artista, que é assessor de Artes Plásticas do Departamento de Cultura da Prefeitura de Diadema. Por meio do conjunto em exposição, Amadasi traça uma narrativa, mostra como pensa. “Não dá para fingir, fazer de conta que os problemas sociais não existem. As obras que crio são reflexos do que vejo. Sou como uma bateria que recebe a energia para depois colocá-lo para fora”, afirmou.

O escultor disse também que seu processo criativo guarda um certo sofrimento: “Penetro em cada sentimento que retrato, daí a sofrer. Não mostro coisas que ouço falar, e sim fatos que conheço. Não estou alheio às questões que abordo”.

São obras que causam certo estranhamento por mostrar a vida sem maquiagem. Mas não por isso deixam de ser belas do ponto de vista estético. “Acredito na força da beleza estética desde que em função da transmissão da uma mensagem”. Disse. O artista iniciou a carreira tratando da temática social e depois teve uma fase surrealista. Hoje retorna do tema inicial.

trecho do texto de Everaldo Fioravante

Consulte Arte para lembrar e refletir - Diário do Grande ABC, 4 de dezembro de 2003

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