Amadasi esculpe a saga dos excluídos

Artista expõe oito esculturas monumentais - inspiradas nas desigualdades sociais - em frente da igreja em Ribeirão Pires

Ricardo Ditchum - Jornalista cultural

O escultor Ricardo Amadasi, argentino radicado no Brasil desde 1974 ( em São Bernardo desde 1988), expõe de hoje a domingo oito esculturas monumentais na frente da Igreja do Pilar, em Ribeirão Pires. A mostra, Os excluídos Sociais, conta com 15 desenhos de Mariano Amaral.

Influenciadas pelo muralismo mexicano, as peças de Amadasi; refletem sem disfarces toda a preocupação do artista com as desigualdades sociais enfrentadas por boa parte da população do Brasil. “Exploro essa estética desde minha formação universitária, sobretudo desde minhas atividades como Diretor do Centro Acadêmico da Universidade de Buenos Aires, em 1974” .

Fundidas em resina e poliéster com metal, as esculturas mostram cenas expressionistas. Apesar da aparente solidão de um, ou no máximo dois personagens presentes em cada peça, as situações criadas pelo artista são carregadas de dramas coletivos.

Indivíduos aprisionados por amarras, mãos suplicantes, uma mãe que embala seu filho, expressões da dor e sofrimento. Diante da fachada de uma igreja, esse cenário lastimoso ganha um contorno de esperança. Essa característica, aliás, surge para o observador nas fisonomias das esculturas, após o forte impacto de emoções relacionadas ao sofrimento. Para Amadasi, o casamento entre o expressionismo de suas esculturas e o ambiente - a frente de uma igreja - ganha um significado ainda maior no dia de hoje, mundialmente dedicado aos trabalhadores.

Texto de Ricardo Ditchum

Consulte Solitários operários da arte -Diário do Grande ABC, 06 de dezembro de 1998.

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