A paixão segundo Amadasi

Enock Sacramento, Crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte

A aventura escultórica de Ricardo Amadasi está profundamente ligada a sua vida e a seus sentimentos. Nos últimos anos ele trilhou um caminho que o levou de um exercício de liberdade no aprisionamento a uma praxis de um “aprisionamento” na liberdade. Esta estrada foi percorrida em três tempos.

1º tempo: O homem. O Homem luta contra as injustiças sociais, a desigualdade, a crença de que o mundo pode ser transformado pela vontade e determinação, que o homem é capaz de criar sua própria circunstância.

2° tempo: A mulher. O artista é atraído pelo eterno feminina. As formas curvilíneas , sensuais do corpo da mulher são agora seu objeto de análises e sublimação poética. Estas esculturas passam ao espectador uma idéia de liberdade, de espera, de prontidão, num clima expressivo e formalmente refinado.

3° tempo: O encontro. O homem aceita as regras do jogo da sedução e do apaixonamento. Um jogo perigoso, mas que vale a pena de ser vivido:Amadasi entende, como Vinicius de Morais, que a vida é a arte do encontro. Sua esperança é de que a sedução e a paixão se transformem em amor, que é a situação que pressupõe a reciprocidade de sentimentos e a cumplicidade. Ele acredita nesta possibilidade.

As oito esculturas de grandes formatos que ele nos apresenta nesta mostra da Arte Aplicada - casais amorosos - são a expressão desta vertigem: o encontro apaixonado, fonte de prazer e de angustia, de alegria e tristeza, de “aprisionamento” e liberdade.

trecho do texto de Enock Sacramento

Consulte A paixão - Esculturas de Ricardo Amadasi - Galeria Arte Aplicada, novembro de 1988

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