Libertação Alexandre Takara

Ricardo Amadasi é um provocador. Sua arte instiga-nos à reflexão. É acaciano afirmar, mas é bom refletir: uma das funções da arte é elevar o nível de consciência e provocar ações. Suas obras transcendem questões estéticas para ganhar dimensões políticas. Contemplá-las é um ato político. É o caso da série sobre exclusão 5social. São esculturas dolorosas, inquietantes, que tratam de meias-vidas, da morte agônica, dos nulos sociais, a quem o destino tudo nega em virtude da estrutura injusta da sociedade. Sísifos contemporâneos, não vislumbram perspectivas de salvação.

São homens presos nas grades do destino, sem direito a movimentos, a gestos de dignidade, esperança e liberdade. Contemplando suas obras, tem-se vontade de apelar a Deus para salvar os excluídos. Mas, Deus está morto – proclama Nietzsche. Nós o matamos. A lanterna, que nos auxiliava na sua busca apagou-se. Estamos na mais negra escuridão, caímos no niilismo destruidor. Mas não, Ricardo Amadasi. Por força de sua utopia, quer o homem por inteiro, convencido de que o ser humano é criador de si mesmo. Por isso, construiu outro universo, onde o homem pode desvelar-se, cuja marca é o advento da consciência.

Ricardo Amadasi, como todos os artistas lúcidos, aborda a questão do destino. Por isso, introduz a problemática da liberdade. Para ele, a liberdade é o ponto de partida e, ao mesmo tempo de chegada. E, ao longo desse itinerário, o homem destrava cativeiros, faz revoluções e estabelece direitos. Ao libertar-se, faz história. E faz história porque está permanentemente (re)construindo-se, tanto no plano individual como no coletivo. Sua obra “Consciência” aponta essa direção e esse sentido. Fixem-se nos detalhes: seus braços musculosos revelam força e seu olhar agudo, o desafio, a materialidade dessa consciência, figurada por um corpo alado, caminha para a liberação.

Consulte Catálogo “Os direitos humanos nas esculturas de Ricardo Amadasi” – Santo André/SP – dezembro de 1999. Trecho do texto de Alexandre Takara

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