Poética Social em Ricardo Amadasi Dilma de Melo Silva - Professora da ECA - USP

A função da Arte, a morte da Arte, a supervivencia da Arte questões pendentes desde os delicados petrogrifos dos antílopes de Tassili em África, passando pelas figuras de Raimundo Nonato – Piauí até a contemporaneidade, as mesmas perguntas reiteradas.

Qual Arte fora dos centros hegemônicos? A repetidora dos cânones bem comportados das Academias? Ou uma proposta outra, gestada a partir das contradições de nossa região de passagens, de travessias, capaz de criar um novo, surpreendente e desestruturador?

Esculturas, rostos, corpos incompletos: expressões da dor, das desigualdades, da violência, instigantes em sua poética particular, desvelando o cotidiano vivenciado por milhares de oprimidos circulando em trens coletivos, troleibus de nossas periferias: o quase impossível possibilitado.

O artista / poeta / escultor concretizando através de sua subjetividade comprometida, formas reveladoras das engrenagens sociais, distante dos ismos da jaula invisível, cerceadora da Arte em Nuestra América.

Ricardo Amadasi nos remete às indagações: qual Arte? A das Galerias, Salões, Premiações, esterilizadas em suas funções, centrada nas experimentações formais? Ou a Arte com sentido coletivo plena de significados, capaz de modelar um corpo humano tão expressivo que a criança excluída ali se reconhece e murmura sou eu.

Arte e cidadania - conceitos inseparáveis ganham visibilidade nas obras apresentadas, gerando reflexões, envolvendo o espectador que não sai imune da exposição, mas contaminado pela poética social pulsante nos trabalhos.

Trecho do texto de Dilma de Melo Silva

Consulte Poética Social - Semana de Cultura e Debates Prefeitura de Diadema, agosto de 2002

<< Voltar