Além da prosaica realidade Alexandre Takara

Ricardo Amadasi, ao esculpir, não faz concessões. Abomina a pasteurização, não faz esculturas para ornamentar espaços, o interior das residências ou a sala de recepções das grandes empresas. Não sabe fazer o jogo do faz-de-conta e nem quer. Sua arte é sua ascese, sua forma de elevar-se até a plenitude espiritual. Ela expressa o seu modo de ser: autêntico, duro consigo mesmo a ponto de comprometer sua sobrevivência. Vive numa situação de limites das suas possibilidades. É um ser de renúncia, portanto de exceção. Lembra-me os santos da Igreja Primitiva que faziam o bem em nome do Senhor. Se Amadasi não faz em nome do Senhor porque não acredita na Igreja dos homens, faz em nome da humanidade que tanto ama, sobretudo, os excluídos. E a sua arte é a expressão deste amor, não um amor platônico, mas um amor encarnado – duro, severo, cruel, sim cruel, que à maneira de Jesus Cristo, açoita e agride os indiferentes, os alienados que não se sensibilizam com os problemas de injustiças sociais e de exclusão social. Estes procuram o brilho fácil e as quinquilharias oferecidas pela sociedade de aparências. E esquecem-se daquilo que lhes dá dignidade: a própria humanidade. O homem perdeu de vista o próprio homem. O que Amadasi deseja é que o homem seja ele mesmo.

Consulte Alpharrabio Edições – Santo André/SP – agosto de 2001, Trecho do livro de Alexandre Takara

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