A dor humana esculpida por Amadasi José Marqueiz

Filho de artistas, quando criança ganhou argila para brincar. Então passou a inventar mundos, universos através do barro. E assim continuou, na adolescência e na fase adulta até se tornar um dos mais conhecidos e respeitados escultores da América do Sul. Em seu ateliê, no Riacho Grande, Amadasi produz monumentais obras que trazem o calor da denúncia e o olhar crítico sobre os contrastes sociais. Todas são referentes aos direitos humanos e se caracterizam pelo olhar crítico do artista sobre os contrastes sociais. “O problema dos direitos humanos não está resolvido nos países mais desenvolvidos e muito menos no Brasil”, denuncia o escultor.

Cada obra de Amadasi revela uma chaga da miséria humana. O material frio da escultura transpira o calor da denúncia, como o menino de rua dentro de um cubo, fumando crack, submerso na marginalização, impedido de tornar-se cidadão; ou a mulher sem teto, de chinelo na calçada, o filho no colo, a mão estendida implorando por uma esmola; e ainda, a do engraxate, de tal forma vilipendiado socialmente, que a própria caixa acaba sendo a garantia de seu sustento. Esses são apenas três exemplos da genialidade explosiva de Amadasi e que marca sua fase mais crítica aos desníveis sociais.

Consulte A Cidade São Bernardo – São Bernardo do Campo/SP – Junho de 1999

Trecho do texto de José Marqueiz

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