Escultura, profissão da arte Silvana Baierl - Jornalista cultural

O que se sabe, com certeza, é que o artista é um ser privilegiado. Mas não tanto quanto quem sente a arte e se emociona com ela. Uma escultura pode- provocar inúmeras sensações em uma só pessoa, e estimula milhões delas em multidões.

Porém, se vamos falar de arte e de artistas, as sensações já começam a fluir no primeiro instante em que entramos na residência de Ricardo Amadasi. Ali, mistura-se atelier, casa e santuário. As peças estão perdidas pelo jardim. Embora seja noite, é possível sentir a atmosfera deliciosa do local, muito bem situado nas margens da represa Billings, em São Bernardo do Campo, no grande São Paulo.

Amadasi é simples, como também é simples a sua manifestação artística. Em uma enorme sala, as esculturas descansam sobre móveis, pisos e paredes. Em torno delas, podemos sentir a criatividade, a técnica e os bons e maus momentos da vida deste escultor argentino, descendente de italianos e apaixonado pelo Brasil, onde mora há 25 anos.

A arte de Amadasi é forte. Músculos, nervos e expressões se sobressaem naturalmente, como se uma escultura pudesse mesmo criar vida, falar, chorar e rir. “Observo a anatomia para construir minhas esculturas, mas com olhos de artista”, acrescenta.

Durante muito tempo, Amadasi trabalhou a sensualidade, que a seu ver é algo muito brasileiro. Também viveu momentos polêmicos, no qual questionou a religião e certos preconceitos. Hoje, sua escultura nos leva a refletir questões sociais. Retrata conflitos e divergências entre pessoas. Tornou-se um político? Nunca, Amadasi não faria de sua arte algo tão comum.

Amadasi não trabalha o indireto. Ao contrário. Sua mensagem é muito direta. Chega a incomodar. Podemos identificar pessoas do nosso dia-a-dia em suas peças. Muitos de seus trabalhos estão expostos em locais públicos do todo o Brasil. Seu objetivo é criar uma consciência social. O curriculum de Amadasi fala por ele mesmo: para sua arte, não há fronteiras, nem tão pouco ele acredita nas diferencias sociais.

Consulte Arte & Decoração - São Paulo, ano VII - número 17 – abril de 1998

Trecho do texto de Silvana Baier

<< Voltar